Em sua semana de lançamento, Devil May Cry entraou no Top 10 das séries mais assistidas da semana no Brasil, aponta JustWatch. A série de animação adulta de ação e fantasia urbana foi adaptada por Adi Shankar para a Netflix, inspirada na franquia de videogames japonesa de mesmo nome da Capcom. Produção acompanha o caçador de demônios mercenário Dante em sua tentativa de frustrar uma invasão demoníaca à Terra orquestrada pelo Coelho Branco, enquanto também entra em conflito com a soldado humana Mary Ann Arkham. Hoje, estamos aqui com nossa resenha (cheia de reclamações e com spoilers) sobre a 2ª Temporada de Devil May Cry da Netflix.

Ficha Técnica
Criador: Adi Shankar
Roteiro: Alex Larsen, Adi Shankar
Produtoras: Studio Mir, Adi Shankar’s Bootleg Universe
Disponível exclusivamente na Netflix
Lançamento: 12 de maio de 2026
Então…

Acredito que quem não assistiu nem a primeira temporada de Devil May Cry da Netflix dificilmente vai procurar uma análise completa da segunda temporada. Então vou direto ao ponto e compartilhar minhas considerações com spoilers. Inclusive, já que a série ficou igual parecendo um clipe musical (vou debater mais sobre isso à frente), deixarei aqui uma das canções que foram tema da animação.
Let the Bodies Hit the Floor
Os novos episódios apresentam Arius, líder da corporação Uroboros, que busca libertar Argosax, uma das entidades mais poderosas do Inferno. Ao mesmo tempo, Vergil assume um papel muito mais importante na narrativa ao descobrir diversas verdades manipuladas por Mundus, que continua exercendo sua influência sobre os acontecimentos dos dois mundos.
Logo no primeiro episódio, a série já estabelece o tom da temporada. Com a guerra entre a Terra e o Inferno em plena escalada, a DARKCOM lança um ataque em larga escala contra o castelo de Mundus, enviando centenas de soldados para uma missão praticamente suicida. Enquanto isso, Mary se infiltra sozinha no local, seguindo ordens de Arius von Erenburg para recuperar o Cálice Arcano.
A missão é concluída com sucesso, mas o custo é alto. Mundus massacra as forças humanas invasoras, enquanto Vergil descobre que a DARKCOM conseguiu roubar o artefato antes da destruição. Depois de entregar o cálice a Arius e ser promovida a comandante, Mary ajuda, sem saber, a aproximar o vilão de seu objetivo final. Com as quatro Relíquias Arcanas reunidas, Arius revela que precisa apenas do sangue de Vergil para concluir seu plano. Ao mesmo tempo, Jester provoca o filho de Sparda até que ele perceba que somente um seguidor de Argosax estaria interessado em reunir aquelas relíquias. Após receber autorização de Mundus, Vergil atravessa um portal para a Terra para recuperar o cálice, mas acaba enfrentando soldados armados com munição anti-demônio. Como esperado, o confronto termina rapidamente, com Vergil eliminando quase todos os inimigos antes de buscar informações sobre quem está comandando a operação.
See U in Hell
O problema é que a série parece ter abandonado qualquer tentativa de equilibrar narrativa e estilo. A primeira temporada já funcionava como uma espécie de fanfic, mas ainda conseguia entreter e preservar parte da identidade da franquia. Nesta segunda temporada, a sensação é diferente. O anime inteiro parece um enorme videoclipe dirigido por Adi Shankar, conforme já reclamei várias vezes aqui na resenha. Muitos fãs reclamaram o mesmo, nas mídias sociais.
Normalmente, uma música é escolhida para complementar uma cena. Aqui acontece o contrário. Diversas sequências dão a impressão de terem sido criadas apenas para encaixar alguma faixa da playlist pessoal dos produtores. Em vários momentos, a trilha sonora parece mais importante do que os personagens, os diálogos ou até mesmo os conflitos centrais da história.
Existe até uma cena diretamente baseade a em uma sequência de Crepúsculo, com Dante salvando Lady de um caminhão ao som de Evanescence. Vai entender, né? Como se os jogos naõ tivessem enorme potencial criativo? Por que não apostar em montagens musicais quase constantes? O resultado é uma obra que parece muito mais preocupada em parecer descolada (e fracassou miseravelmente, já que foi nada descolada e diferentona) do que em construir algo interessante com o material original.
Se a primeira temporada ainda podia ser vista como uma fanfic divertida (e olha lá hein?) baseada em Devil May Cry, a segunda leva essa ideia ao extremo. Virou uma sucessão de clipes musicais conectados por uma trama que frequentemente parece secundária. E o mais curioso é que nem mesmo funciona como um musical de verdade. É isso. E olha que, para mim, o problema nem é a Lady (diva) monopolizar algumas cenas ou se tornar a namorada do Dante. Mas tem dois pontos. Primeiro que mudaram completamente a história de LAdy. Segundo que aproveitaram o clichê “enemy to lover” (inimigos para amantes) de maneira muito ruim. É difícil até de se explicar o tanto que isso NÃO funcionou.
Trailer oficial
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