O estiloso caçador de demônios Dante retorna para enfrentar legiões do submundo em Devil May Cry 2. Armado com suas armas de confiança e com ainda mais atitude, Dante embarca em uma nova aventura demoníaca com mais movimentos e ambientes expansivos! Desta vez, Dante tem uma nova parceira na destruição: a ágil e diabólica Lucia. Juntos, eles unem forças contra as hordas do mal neste thriller de ação estiloso e infernal!
Lançado pela Capcom em 2003 exclusivamente para PlayStation 2, Devil May Cry 2 é o segundo título da famosa franquia de ação estrelada pelo caçador de demônios Dante. Cronologicamente, os eventos do jogo acontecem após o primeiro Devil May Cry e também depois de Devil May Cry: The Animated Series. Apesar da expectativa gerada pelo sucesso de seu antecessor, o título recebeu críticas mistas devido a diversas decisões de desenvolvimento que o distanciaram da fórmula original. Entre os principais pontos questionados estavam a redução significativa da dificuldade, mudanças no ritmo do combate e uma menor ênfase no estilo agressivo que havia se tornado uma das marcas registradas da série.
A trama se passa nos tempos modernos, na misteriosa ilha de Vie de Marli, onde Dante cruza caminhos com Lucia, uma habilidosa guerreira que compartilha o objetivo de impedir os planos de Arius, um poderoso e ambicioso empresário. Obcecado por alcançar um poder além dos limites humanos, Arius busca invocar o lendário demônio Argosax, uma entidade de força colossal capaz de ameaçar o equilíbrio entre os mundos humano e demoníaco. Unidos por interesses em comum, Dante e Lucia enfrentam criaturas sobrenaturais e descobrem segredos relacionados ao passado da ilha enquanto tentam impedir que a ambição de Arius desencadeie uma catástrofe.
A narrativa é apresentada por meio de cenas produzidas com o próprio motor gráfico do jogo e sequências em vídeo pré-renderizadas, recurso bastante utilizado nos jogos da época para dar maior impacto cinematográfico aos momentos mais importantes da história.
Desenvolvimento

Apesar do enorme sucesso do primeiro Devil May Cry, sua sequência seguiu um caminho bastante diferente nos bastidores. O projeto não contou com a participação de Hideki Kamiya nem da equipe do Capcom Production Studio 4, responsáveis pelo título original. Curiosamente, a primeira vez que Kamiya soube da existência de uma continuação foi durante o processo de localização do jogo para o mercado ocidental, quando um membro da equipe de Devil May Cry 2 solicitou documentos de design e o roteiro do primeiro título. A notícia surpreendeu o diretor, que mais tarde admitiria sua decepção por nunca ter sido convidado pela Capcom para liderar o novo projeto.
O desenvolvimento ficou sob responsabilidade do Capcom Studio 1, uma divisão tradicionalmente ligada à produção de jogos de arcade. A aprovação da sequência aconteceu ainda em 2001, impulsionada pelo reconhecimento e pela popularidade conquistados pelo primeiro jogo. Segundo o produtor Tsuyoshi Tanaka, a intenção era criar uma experiência muito maior em escala, com cenários que chegavam a ser aproximadamente nove vezes maiores do que os vistos anteriormente.
A equipe também decidiu reformular diversos aspectos da fórmula original. Dante passou a ter uma personalidade mais séria e reservada, abandonando parte do comportamento irreverente que o caracterizava. Os elementos de exploração e resolução de quebra-cabeças perderam espaço, enquanto o combate recebeu mais atenção. O sistema de câmera foi reformulado para favorecer as sequências de ação, e os desenvolvedores buscaram responder a críticas e sugestões coletadas por meio de pesquisas com jogadores. Entre as novidades estavam novos combos, movimentos acrobáticos, troca instantânea de armas e a introdução de Lucia como personagem jogável, uma resposta direta aos fãs que desejavam controlar Trish no primeiro jogo.
Diversas ideias ambiciosas foram planejadas durante a produção. A motocicleta de Dante teria participação muito maior na jogabilidade, existiriam rotas alternativas com diferentes durações, dificuldade adaptativa e até mesmo inimigos e chefes inéditos que acabaram sendo descartados. Entretanto, o cronograma apertado forçou a equipe a cortar uma quantidade significativa de conteúdo antes do lançamento. Outro detalhe curioso é que a história originalmente seria ambientada em Nova York, mas os planos foram abandonados após os atentados de 11 de setembro de 2001.
A situação do projeto se tornou tão complicada que Hideaki Itsuno, recém-saído do desenvolvimento de Capcom vs. SNK 2, foi chamado para reorganizar a produção quando restavam apenas seis meses para a conclusão do jogo. Anos depois, ele revelou que o desenvolvimento estava em uma situação extremamente delicada. Segundo o diretor, o roteiro ainda não estava finalizado, as cenas cinematográficas não haviam sido produzidas e diversos sistemas importantes sequer tinham sido definidos. Praticamente tudo precisou ser estruturado em um curto espaço de tempo.
Nos meses finais, a Capcom mobilizou desenvolvedores de diferentes equipes para ajudar a concluir o projeto. O período foi marcado por longas jornadas de trabalho e intensa pressão. Alguns membros da equipe relataram rotinas exaustivas, chegando a dormir no escritório para cumprir os prazos estabelecidos. Mesmo diante das dificuldades, muitos profissionais permaneceram comprometidos em entregar a melhor versão possível do jogo.
Embora tenha conseguido levar o projeto até o lançamento, Itsuno nunca ficou satisfeito com o resultado final. Ele não queria que Devil May Cry 2 fosse lembrado como sua principal contribuição para a franquia. Antes mesmo da conclusão do desenvolvimento, pediu à Capcom a oportunidade de dirigir um terceiro jogo desde o início da produção. A empresa aceitou a proposta, e boa parte da chamada Team Devil retornou para o novo projeto. O objetivo era aplicar as lições aprendidas e reconquistar os fãs que haviam se decepcionado com a sequência.
A recepção de Devil May Cry 2 refletiu justamente essa divisão. Enquanto alguns jogadores apreciaram a dificuldade reduzida e a abordagem mais acessível, muitos admiradores do primeiro jogo criticaram as mudanças realizadas. Essa resposta do público acabaria influenciando diretamente o desenvolvimento de Devil May Cry 3, título que buscou resgatar a intensidade, o desafio e o estilo que tornaram a série tão popular.
Gameplay

Devil May Cry 2 mantém a proposta de ação intensa da franquia, colocando o jogador no controle de Dante ou Lucia em cenários urbanos infestados por criaturas demoníacas. A aventura é dividida em missões com objetivos específicos, nas quais os protagonistas enfrentam grandes grupos de inimigos utilizando uma combinação de ataques corpo a corpo, armas de fogo e habilidades sobrenaturais. Ao final de cada missão, o desempenho do jogador recebe uma classificação que varia de D até S, levando em consideração fatores como tempo de conclusão, quantidade de Orbes Vermelhas coletadas, dano recebido, uso de itens e o nível de estilo demonstrado durante os combates.

O sistema de estilo continua sendo um dos elementos centrais da experiência. Durante as batalhas, o jogador deve manter uma sequência constante de ataques enquanto evita sofrer dano para aumentar sua classificação. Conforme o desempenho melhora, diferentes mensagens aparecem na tela, começando em “Don’t Worry” e avançando para níveis mais altos como “Come On!”, “Bingo!”, “Are You Ready?” e, finalmente, “Show Time!!”. Entretanto, qualquer golpe recebido faz a classificação retornar ao nível inicial, incentivando uma abordagem mais habilidosa e agressiva durante os confrontos.
A sequência introduziu diversas mudanças na mecânica de combate em relação ao primeiro jogo. Os combos das armas corpo a corpo passaram a depender não apenas do ritmo dos ataques, mas também da direção aplicada no analógico durante a execução dos movimentos. Outra novidade importante foi a inclusão de um botão dedicado à esquiva, permitindo que Dante e Lucia realizem rolamentos, desviem de ataques inimigos e até mesmo corram por determinadas paredes. O sistema de troca rápida de armas de fogo também estreou neste capítulo, tornando o combate mais dinâmico ao permitir alternar entre diferentes armamentos sem precisar acessar menus.
Além da ação, o jogo incorpora elementos de exploração e resolução de pequenos quebra-cabeças. Durante as missões, os jogadores devem investigar cenários em busca de itens importantes, chaves e orbes espalhados pelos ambientes. As Orbes Vermelhas funcionam como moeda do jogo e podem ser utilizadas para aprimorar equipamentos ou adquirir itens de suporte, incluindo objetos capazes de restaurar a vida dos personagens ou até mesmo ressuscitá-los após a derrota.
Entre os poderes mais importantes está o Devil Trigger, habilidade que permite a Dante e Lucia assumirem formas demoníacas temporárias. Nesse estado, ambos ganham acesso a ataques especiais, maior poder ofensivo e habilidades exclusivas. O sistema também introduz os Amuletos, mecânica inédita na série que possibilita personalizar alguns atributos da transformação demoníaca de Dante. Além disso, Devil May Cry 2 apresenta a poderosa Forma Majin, uma transformação exclusiva de Dante que pode ser ativada em situações extremas, quando sua barra de vida está criticamente baixa. Considerada uma das habilidades mais destrutivas do jogo, essa forma concede ataques devastadores e poderes muito superiores aos do Devil Trigger tradicional.
Trama

Devil May Cry 2 começa quando Dante e uma misteriosa guerreira chamada Lucia chegam separadamente a um museu que abriga um dos fragmentos da Arcana, um conjunto de artefatos místicos essenciais para a realização de um poderoso ritual demoníaco. Após enfrentarem uma invasão de demônios no local, Lucia convida Dante para viajar até a ilha de Vie de Marli, onde ele conhece Matier, uma anciã que revela ter lutado ao lado de Sparda no passado, quando o lendário demônio traiu sua própria espécie para proteger a humanidade.

Matier explica que a ilha corre perigo devido às ações de Arius, um influente empresário que acumulou riqueza e poder por meio de conhecimentos ligados ao sobrenatural. Obcecado em alcançar a imortalidade e dominar o mundo, Arius busca reunir os fragmentos da Arcana para libertar Argosax, uma entidade demoníaca de poder colossal. Embora inicialmente demonstre pouco interesse no conflito, Dante decide ajudar após consultar sua inseparável moeda da sorte, um gesto que reforça sua postura aparentemente despreocupada diante do perigo.
Enquanto Dante investiga os planos de Arius, Lucia acaba descobrindo uma verdade chocante sobre si mesma. Ao confrontar o vilão, ela descobre que foi criada artificialmente por ele através de experimentos demoníacos. A revelação abala profundamente sua confiança e coloca em dúvida sua própria identidade. Mesmo tentando atacar Arius, ela é facilmente repelida por seus poderes e forçada a recuar.
Pouco depois, Lucia entrega a Dante o último fragmento da Arcana necessário para impedir os planos do antagonista e parte sozinha para enfrentá-lo mais uma vez. Dante procura Matier para entregar o artefato, mas a anciã insiste que ele deve priorizar o resgate de Lucia. Mais uma vez recorrendo à moeda para tomar uma decisão, Dante acaba seguindo para a torre Uroboros, quartel-general de Arius.
Ao chegar ao local, encontra Lucia capturada e consegue libertá-la ao trocar a Arcana por sua segurança. Em seguida, enfrenta Arius diretamente. Contudo, o vilão consegue escapar ao forçar Dante a escolher entre persegui-lo ou garantir a sobrevivência de Lucia. Após o confronto, Lucia demonstra preocupação tanto com os planos de Arius quanto com sua própria natureza demoníaca. Apesar das incertezas, Dante mantém sua característica confiança e afirma que encontrará uma solução para o problema.
Enquanto Lucia permanece refletindo sobre seu destino, Dante segue até o local onde Arius realiza seu ritual final. Convencido de que alcançou a imortalidade, o empresário acredita estar acima de qualquer ameaça. Sua arrogância, porém, prova ser seu maior erro. Dante o enfrenta e encerra a batalha de maneira aparentemente definitiva, derrotando-o com a ajuda de suas famosas pistolas Ebony & Ivory.
A vitória dura pouco. Logo após a derrota de Arius, uma enorme quantidade de energia demoníaca é liberada, abrindo um portal para o reino dos demônios. Percebendo que alguém precisa atravessá-lo e selá-lo por dentro para impedir que Argosax complete sua manifestação no mundo humano, Dante e Lucia discutem quem assumirá essa responsabilidade. Fiel ao seu hábito de deixar certas decisões para o acaso, Dante lança sua moeda mais uma vez. O resultado lhe dá o direito de entrar no portal, deixando Lucia para trás enquanto segue rumo ao confronto final.
Após a partida de Dante, Arius retorna transformado por poder demoníaco. Lucia então assume o protagonismo e enfrenta o vilão em sua forma monstruosa, conseguindo derrotá-lo definitivamente. Enquanto isso, no reino demoníaco, Dante trava uma batalha contra Argosax, impedindo que a entidade complete sua invocação. Com o portal fechado após a luta, ele fica preso no Mundo dos Demônios e parte em sua motocicleta para explorar aquele território desconhecido.
Com a ameaça eliminada, Matier tenta consolar Lucia, lembrando que Sparda também realizou uma viagem semelhante ao inferno e conseguiu retornar. Ao observar a moeda deixada por Dante, Lucia faz uma descoberta inesperada: ambos os lados apresentam a mesma face. Nesse momento, ela percebe que Dante nunca deixou sua decisão ao acaso. Desde o início, ele pretendia assumir a responsabilidade de enfrentar Argosax e proteger o mundo humano.
Algum tempo depois, Lucia visita a agência Devil May Cry e reflete sobre o sacrifício de Dante, alimentando a esperança de que ele possa seguir o mesmo caminho de Sparda e encontrar uma forma de voltar. Enquanto pensa nisso, o som de uma motocicleta ecoa do lado de fora. Surpresa, ela corre para verificar quem chegou, encerrando a história com um dos finais mais enigmáticos de toda a franquia.
Trailer oficial
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